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MONITOR DE SINAIS VITAIS: O SOM QUE NÃO ECOAArtigo escrito pelo jornalista e sociólogo Tadeu Oliveira

Entre idas e vindas, passei os últimos 25 dias nos corredores de uma Unidade de Terapia Intensiva de uma rede privada de saúde. Não, antes que pensem, estou bem de saúde e não estive internado. No entanto, a UTI é intensa para quem dela precisa e para quem com ela convive. 

Estive nesse ambiente para acompanhar a minha mãe. Para nenhum filho, mesmo sabendo que era o melhor ambiente para a manutenção da vida, é nada confortante saber que sua mãe está ali. Ela passou seus últimos 26 dias sob um rigoroso olhar médico.

Como um contador de histórias por vida e profissão, quis o destino que agora eu fosse apenas um observador. Os médicos chamam de acompanhante de paciente. Nesse tempo na UTI, estive com ela nos últimos momentos de sua vida. No exato momento em que ela fez sua passagem, eu estava lá.

Nunca imaginei passar por experiência semelhante. Como todos sabem, não sou médico e nunca fui acompanhante de paciente em UTI. Fiquei de olhos colados num monitor observando os procedimentos finais de quem estava calado em um leito do hospital, apenas demonstrando pouquíssima comunicação visual. Pelo respectivo monitor, cada vez mais os números iam diminuindo, diminuindo, até zerar. Do outro lado, a pressão só subia de quem, assim como eu, assistia a cena impotentemente.

Sinal de emergência

O monitor é utilizado para que a equipe médica verifique sinais vitais do paciente e é importante para saber a evolução positiva ou negativa do estado clínico da pessoa. Os alarmes emitidos pelo aparelho funcionam como um “anjo” do paciente monitorado, já que qualquer alteração, seja no batimento cardíaco, pressão arterial ou quantidade de oxigênio no sangue, despertará atenção da equipe. Um sinal de emergência. O paciente é monitorado 24 horas por esse instrumento.

Olho aquele painel e nada entendo. No entanto, aqueles signos bonitos, coloridos, com desenho de coração em bolinhas vermelhas, que aparecem representando sinais de recuperação, são fatores inquietantes para visitante leigo. Aos poucos, as ilustrações vão desaparecendo dando lugar algumas listras amarelas e, em seguida, todo visual mostra zero, instante em que o paciente não responde mais. Ela não ri, não chora, não sofre e não se despede. Apenas segue o final curso da vida: nascer, crescer e partir.

O que pode iniciar uma paz infinita, como falam alguns, pode começar desespero para outros. Minha mãe foi uma boa paciente no final: rolou uma lágrima, fez gesto de sorriso e tentou de maneira imperfeita balbuciar a palavra adeus. Entendi assim. 

Um coração para, outro dispara

Hora de chamar o médico. O profissional vestido de jaleco branco observa sinais cardíacos do paciente e depois avisa para o setor de enfermagem que é hora de entrar em procedimento óbito. Assim, com uma palavra só. Não resta nada a fazer porque está tudo consumado. Se no momento um coração para, outro coração na mesma sala dispara. 

No período em que passei no hospital, acredito que nasceram umas 17 crianças e morreram uns quatro idosos. Para um analista urbano, um jornalista, viver a realidade de um hospital nos três turnos é uma experiência fora do comum, fora da rotina. São repetitivos sofrimentos, e, como nas novelas, a surpresa chega sempre no final. 

São crianças que nascem e choram; idosos que gemem nos leitos lamentando a solidão e sofrem até com aplicação de medicamento. São parentes e amigos que andam e se inquietam e se desencontram com informações médicas. Tem até quem console parentes e aponte o caminho do céu. Para quem observa, pode ser uma despedida. Para mim, é um capítulo da minha vida, um texto que nunca queria escrever.


(Foto: Reprodução)
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